domingo, 6 de fevereiro de 2011

Beatrice M. Para Regina Guerreiro

BM - O que pra você é imperdoável, em se tratando de estilo?
RG - Imperdoável é alguém usar a chamada moda, como se ela fosse uma muleta (as grifes “expostas” são muletas no caso de mulher insegura, certo? ). Pior ainda, usar esse ou aquele modelito, como se fosse uma “encadernação”. É triste, soa falso, você abre o livro e….não tem nada dentro. Acho que as pessoas tem que se mostrar, tem que se transbordar. Não existe certo ou errado (odeio auto-(odeio auto-ajuda fashion), nem na moda, nem na vida.

Diversa Janeiro 2011


Diversa Janeiro de 2011
25 Modismos que marcaram a década- ou o que dizer sobre os anos 2000 para os que virão depois de nós Parte II
Fernanda Isse Acesse: www.fernandaisse.blogspot.com


1-A triologia “Piratas do Caribe” e a parceria com o diretor “Tim Burton” fizeram de Jhonny Depp nosso muso e astro favorito;
2-Metrossexuais: homens “arrumadinhos” tiveram vez, o atleta David Beckham liderou a turma;
3-Realeza Cool: a Rainha Rânia da Jordânia e a nossa Princesa Paola se tornaram modelos de simplicidade chique;
4-Brasil: a moda brasileira aproveitou seu momento:de Carmen Miranda ao artesanato regional;
5-Moda Praia: nossos biquínis se tornaram referência e sucesso em todo o mundo;
6-A morte de prematura do ídolo Michael Jackson trouxe à tona também seus dourados, jaquetas e brilhos;
7-Releitura do glamour punk-rock: cabelos com cortes assimétricos, couro preto e tachas: o que foi chamado de rocker!?
8-Vampiros, beleza gótica e amor dramático: emo.Sem mais comentários.
9-Piercing e tatuagens deixaram de ser símbolos de rebeldia e caíram nas graças do povo. Bem democrático!
10-Culto ao corpo levado ao extremo, distúrbios alimentares se tornaram cada vez mais recorrentes entre as mulheres;
11-Madonna comemorou 50 anos como exemplo de boa mãe, praticante da cabala e da yoga;
12-Celebridades peculiares: Amy Winehouse, Lady Gaga e os escândalos que envoveram Naomi Campbel, Paris Hilton, Britney e Lindsay;
13-No Brasil: as belas Grazi Massafera, Alinne Moraes e Taís Araújo estrelam campanhas da gigante Loreal;
14-Ainda sobre a beleza brasileira: Bebel, personagem da atriz Camila Pitanga na novela “Paraíso Tropical”, conquistou nossos corações;
15-A top Kate Moss, depois dos 30,continua abafando: linda e sempre referência de estilo;
16-Bandas coloridas: calças coloridas, óculos wayferer colorido, tudo colorido!
17-Maria Rita: tudo mudou na MPB depois que a filha de Elis Regina soltou a voz;
18-Decoração ao estilo “Jetsons”: tudo muito, mas muito clean, no início da década;
19-Cozinhar com glamour e muitos pratos com ingredientes,visual e utilitários esquizofrênicos;
20-O comovente filme indiano “Quem Quer Ser Um Milionário”, ganhou Oscar e voltou nossos olhares para esta cultura tão rica;
21-A saga Harry Potter encantou crianças de todas as idades;
22-Fábio Jr. Segue conquistando à todas nós, só que agora com o filho Fiuk à tiracolo, embora mesmo tão belo quanto, tem menos carisma;
23-Pânico na TV e Comédia MTV:novas propostas, novos humoristas;
24-Esmaltes nas mais variadas cores e pigmentos usados por todas as mulheres, de todas, eu disse, todas as idades!
25-Casamentos: nunca foi tão glamuroso e fantástico celebrar o ritual do matrimônio.

sábado, 15 de janeiro de 2011

This Is Not A Fashion Blog-sentirei saudades!

A origem das coisas: acho que todo estilista deve ter tido uma mãe que se vestia bem. É assim que a gente aprende, olhando ela se vestir usando os recursos certos, combinando todos aqueles apetrechos que mais tarde a gente vai entender como “moda”.
Uma das minhas primeiras lembranças disso é ver minha mãe se penteando e se pintando logo antes de dormir, de camisola, em frente à penteadeira do quarto. Eu já devia ser muito atento à tudo, e me perguntava: _mas afinal, ela vai dormir, pra quê essa maquiagem? Depois eu percebi que existem coisas bem mais interessantes pra se fazer num quarto do que dormir, mas aquele sentido da “inutilidade” maravilhosamente chique do momento me marcou bastante, e de um modo meio proto-consciente, me fez entender que assim como a arte, a moda não tem função alguma, a não ser a de embelezar o que nossos olhos vêem.
Minha mãe é uma mulher muito bonita. Descendência árabe (na verdade aquela mistura que é a cara brasileira), leonina, sempre foi o centro das atenções. Filha preferida do meu avô, aprendeu desde cedo a ter o próprio trono. E assim foi. Sem nenhuma concessão, era a mais bem vestida nas festas de família. E isso num tempo em que as roupas era feitas em costureiras, ou no caso, por ela mesmo. A moda prét-á-porter brasileira ainda era muito incipiente nos 70′s, e só começou a atingir a grande massa da classe média uma década depois.
Sempre teve talento pra algum tipo de expressão artística, acredito que se tivesse tido a formação necessária, uma origem mais intelectualizada, com certeza seria uma pintora. Mas não deu pra ser assim, e como eu, ela faz das tripas coração pra enfrentar a mediocridade das coisas. Aprendi muito com isso, claro.
Uma das características mais fortes dela era sempre ter um par de sandálias brancas, altas, e usá-las com qualquer cor de roupa. Me lembro que era uma pitada exótica, e não poucas vezes vi minha mãe emprestando as suas pra alguma noiva. Naquela época de tão pouca fartura, quem iria comprar um par de sandálias brancas, a não ser uma pessoa de muita opinião? (Mais tarde vim a saber que a mãe de Saint Laurent -olha que audácia a minha- também tinha as suas, isso nos 40′s, e que em todo desfile dele existia uma sandália assim, em homenagem à ela.)
Devo ter me motivado a fazer esse post porque ontem fui assistir Chanel-Stravinsky, que apesar do enredo bastante romanceado, tem uma direção de arte belíssima, e numa das cenas Gabrielle aparece com um vestido-mantô num tom de creme muito claro, com meias pretas e sandálias brancas: bingo.
Vou falar de três roupas dela que me lembro com mais carinho. A primeira é um vestido de festa azul… não sei bem ao certo a cor, um tom de azul entre o turquesa escuro e o royal, uma cor antiga, bonita. Foi uma das primeiras roupas “comme il faut” que ela fez sozinha. Um tubo muito simples, com um recorte diagonal logo abaixo do busto, onde se encaixava uma faixa de cetim (na verdade, o avesso do tecido). A roupa foi feita com muito capricho, e nesse dia dei pra ela um colar branco bem curto -não à toa, porque obviamente sabia que as sandálias seriam assim- e ficou tudo muito bonito. Uma imagem vintage, mesmo nos 70′s, “fora de moda”. Alguém usando um vestido de vinte anos atrás, como se não fosse nada.
Outro é o indefectível terninho dos 70′s. Minha mãe tinha sido convidada pra ser madrinha -foi madrinha de muitos casamentos e batizados- e comprou um conjunto de blazer e calças compridas em veludo cotelê vinho, com uma camisa feminina de seda, e usou com uma rosa de tecido na lapela. Aquela maquiagem Cosmopolitan, muito blush, muito glitter: pode coisa mais anos 70 do que isso?
O último é o que eu gosto mais de me lembrar, talvez porque tive uma certa interferência na coisa toda. Será que foi um dos meus primeiros modelitos? Era 77, 78, e a moda eram as cores primárias: azul marinho, amarelo e vermelho, tudo junto e misturado. Convenci minha mãe a comprar a Desfile, e vendo as fotos, a fazer imediatamente um tailleur de blazer e saia numa popeline de algodão amarelo ovo com pois pretos. Fomos na loja, compramos o tecido, (não me lembro dos detalhes, mas devo ter acompanhado tudo) e ficou lindo. Em algum aniversário na casa da minha avó, ela usou o tailleur com as sandálias brancas, claro, uma mistura tão anos 40, tão atemporal, gráfica. Talvez o que mais me marcou nessa roupa foi o fato dos bolsos externos do blazer terem um corte arredondado, e como eu acho que ela não sabia arrematar aquilo, simplesmente deixou no fio. Imaginem, uma roupa no fio no final dos 70′s, quinze anos de Kawakubo assustar (e maravilhar) o mundo com seus rasgados.
E eu poderia ser alguma coisa além de um estilista, sendo criado desse jeito?

Quero que você fique em mim como uma tatuagem, dessas que a gente faz na praia num momento de imprudência: bonita, delicada, cheia de promessas. Dessas que a gente esquece que existem, e só se lembra quando precisa provar um lindo vestido de baile, e no decote tão baixo você discretamente se mostra. Quero me lembrar às vezes que carrego você comigo, mesmo que na correia das horas minha cabeça busque outros portos, outras ilhas, outras miragens. Quero carregar você comigo para sempre, e em meu último momento, pensar que te tenho comigo. Afinal.(não lembro o autor, perdão)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Feliz 2011 Ainda que com Atraso




E se a gente se permitisse encantar mais pela imaginação do que pela convenção?
E se a gente prestasse atenção no que tem em volta da gente pra então encontrar sentido nas nossas escolhas – olhar pro que é autenticamente coerente com quem a gente é e com a vida que a gente tem, ao invés de procurar referências em outras pessoas, outros hemisférios, outros círculos de amigos, frequentadores de outras festas? E se a gente absorvesse cores, formas e inspirações do que de mais inusitado tem no nosso universo particular? A noite da virada do ano brindamos com os mais queridos, mentalizarmos pensamentos positivos para o mundo inteiro, atendemos à nossa necessidade de renovação, de trocarmos boas energias para continuar a trajetória. Dispensamos o preto, que adoro, para nos vestirmos de branco, uma lingerie nova, acessórios turquesa, cabelos ao vento da praia ou simplesmente ao ar livre. Na mesa, flores brancas, uvas, lentilha, velas e muitas moedas de chocolate, aquelas que são envoltas por um papel dourado, elas fazem toda a diferença. A cor do próximo ano, o amarelo e toda sua luz.
O segredo do réveillon é estar de bem com a vida para começar o ano novo com o pé direito! Feliz 2011!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Natal É Para Comemorar



Fernanda Isse
Adoro Natal. Adoro o jeito que a casa fica, desde pequena sempre ajudei a minha mãe a organizar tudo: os presentes, os agrados aos clientes e suas etiquetas, as compras no sempre intransitável supermercado, a enorme e linda mesa enfeitada, o presépio que era da minha avó e um dia eu pintei todos os personagens de dourado e ficou meio “trash”, o pinheirinho- que a gente sempre providenciava um natural para que a casa tivesse “cheiro de festa”. Meus pais sempre fizeram questão de providenciar uma festa com amigos e família em casa. Muitas risadas, meu pai tomando chimarrão o tempo todo, oração antes da ceia, meu tio Hélio de Papai Noel (até o dia que descobrimos que era ele!) a presença da turma toda, sem precisar fazer social e nem manter as aparências. Tirar os sapatos lá pelas tantas, usar a melhor louça,a melhor toalha, verde e vermelho, o Marcos sorrindo, um bom vestido que te permita cometer todos os pecados gastronômicos sem perder o charme, todas as taças da cristaleira,a chegada do João, todas as luzes acesas, minha mãe na cozinha apressada decorando os pratos, o peru, os fios de ovos da tia Beth, as risadas da Zica, a alegria das gurias, as sobremesas de frutas, o namorado da prima que chega bem na hora que a bebida já era,o salmão da Gabi, que hoje nos traz o menino Francisco: nada pode ser mais inspirador do que a presença de um bebê, que é a presença divina, a presença da vida! Adoro o Natal, e amanhã a gente acorda, ri e almoça juntos. Tomara que seja sempre assim!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Biografias-Por Tony Belotto

Não sou muito chegado a ler biografias. Mas leio de vez em quando. Assim como em qualquer outro gênero literário, o que conta nas biografias é a qualidade literária e não o gênero em si. Adoro ler as biografias escritas por Rui Castro, por exemplo, que é um grande escritor. As biografias de Nelson Rodrigues (O Anjo Pornográfico) e Garrincha (A Estrela Solitária) são particularmente brilhantes.

Fernando Morais é outro que se sai muito bem no gênero. Olga, sobre a vida de Olga Benário, e Chatô, sobre Assis Chateaubriand, são livros excelentes. Nelson Motta também mandou muito bem na biografia de Tim Maia. Registro aqui também o primoroso trabalho que os jornalistas Andre Alzer e Erica Marmo fizeram na biografia dos Titãs, A Vida Até Parece Uma Festa. Há outras muito boas, mas no geral acho biografias desinteressantes – ainda que os biografados sejam interessantes -, não sei explicar por que. Talvez pelo fato de ser um romancista e portanto creditar à imaginação e à invenção a parte mais interessante do trabalho literário.

Por exemplo, sou fã do guitarrista inglês Eric Clapton, e ouvi muitos elogios à sua biografia, mas não consegui abrir o livro e começar a ler. Autobiografias então, dessas eu desconfio muito. Já acho meio esquisito alguém ser biografado antes de morto – pois se a vida de uma pessoa perfaz um ciclo, espera-se que esse ciclo tenha terminado para que se possa analisá-lo por inteiro.

Agora, alguém escrever a própria biografia? Me parece algo absolutamente não confiável. Leio que Fiuk e Luan Santana terão suas biografias publicadas em breve. Nada contra, acho os rapazes gente fina e talentosos, mas não são muito jovens para já merecerem uma biografia? Bem, há demanda, e não faltarão filas de menininhas ardentes a comprar as biografias dos dois mancebos. Estarei com inveja? Papo de tiozão? Sei lá. Pode ser. Keith Richards, que é meu ídolo supremo, acaba de lançar uma autobiografia. Por mais que eu admire o beatífico, ensandecido e enrugado guitar hero inglês, não me sinto animado para ler sua biografia. Vou comprar o livro, claro, principalmente para dar uma olhada nas fotos.

E leio que Lobão também acaba de lançar uma autobiografia. Lobão há muito já provou que é um polemista e frasista bem superior ao compositor relevante que gostaria de ser, e com certeza não faltarão histórias divertidas, algumas alfinetadas e ressentimento nas páginas de sua biografia. Mas acho que não vou ler. Estarei com raiva? Com medo que ele fale mal de mim? Sei lá. Pode ser. De qualquer forma, acho que vou pescar um livro de Jorge Luis Borges na estante, e ler uma biografia imaginária de algum personagem inventado pelo genial escritor argentino. Com certeza me sentirei mais conectado à realidade e um pouco mais sabedor da essência humana.

Livro…

…. Richard Burton, de Edward Rice, uma excelente biografia de um personagem muito interessante, real, um inglês aventureiro cuja vida daria um belo… romance!