sábado, 4 de fevereiro de 2012

Festas e a Grama do Vizinho- Martha Medeiros

Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco. Há no ar, um certo queixume sem razões muito claras. Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem. De onde vem isso? Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia: "Eu espero/ acontecimentos/ só que quando anoitece/ é festa no outro apartamento". Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são - ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho. As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim. Ao amadurecer,descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados. Pra consumo externo, todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores. "Nunca conheci quem tivesse levado porrada/ todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo". Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta. Nesta era de exaltação de celebridades - reais e inventadas - fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça. Mas tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé? Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista. As melhores festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento.

Texto escrito em uma madrugada de insônia, fria em NYC…

Chic, bein, me senti um escritor\colunista do Village, kkkk!Evandro Santo

1-Não é toda mulher que tem o DNA para andar bem de salto.
Mas mesmo assim, elas teimam e andam.
E andam feio!
E por que ninguém fala a verdade para elas?

2-Cada um tem um vício…alguns são viciados em café, outros em roupas, outros em comida, enfim.
Mas tem um tipo de mulher que é viciada em mexer no nariz…toda hora ela dá um retoque no cirurgião plástico, e vai retocando, retocando e o nariz, vai ficando cada vez mais estranho.
E a gente não consegue desviar o olhar daquele nariz suíno.
E por que a gente nunca tem coragem de falar?

3-Todo mundo sabe que tem o safado\cafajeste\sacripanta que trai a namorada, todo mundo vê, mas ninguém conta, porque em briga de namorados, a mãe da gente sempre nos ensinou que não devemos nos meter.
Enfim, comentamos, fofocamos, damos palpite, mas nunca contamos para a moça.
E por que nunca temos coragem de contar?
Por que somos covardes?

4-Por que não temos coragem de mostrar logo a tatuagem que fizemos para o nosso tão bravo pai ou nossa tão implicante mãe?

5-Por que não conseguimos terminar um relacionamento que está um lixo, um resto?
Por que não damos uma descarga logo e partimos para outra?
Por que não damos um block logo igual fazemos no twitter?
Será que nossa coragem foi passar férias na Indonésia e não voltou até agora?

6-Reclamamos que nossa casa é um inferno, mas não saímos dela…
Medo de viver sós, de pagar as próprias contas, de ficar com medo porque todo dia 10, o dinheiro pode não sobrar para comprarmos aquela calça?
Brigamos com nossos pais, mas ficamos lá, morando com eles…por que?
Damos despesas domésticas, despesas emocionais, despesas mentais…
Não é melhor sair fora e procurar nosso próprio caminho?
Nossos pais, dificilmente vão mudar…
Mas nós…podemos mudar a qualquer momento…é só encontrar um lugar e fazer as malas.
Ou mochilas…mais jovem.

7-Por que quando entra um cara lindo dentro do elevador, a gente não para de olhar para ele, pelo canto dos olhos?

8-Por que que quando soltamos um “pum”, nunca admitimos que somos nós?
Por que o “pum” parece algo tão desumano, tão alienígena?

9-Por que quando uma pessoa fala “eu te amo” pra gente, a gente fica sem graça, com vontade de rir horrores?

10-Por que adoramos postar fotos de felicidade e descolamento no facebook o tempo todo?
Para impressionarmos o inimigo?

11-Por que…complete você mesma…